As transformações evolucionárias do Aprendizado

Todo processo cultural é condicionado e determinado por princípios e convicções. No processo cultural ocorre o envolvimento dos conceitos de aprendizado, do exercício da liberdade e da vontade humana em optar por um ou outro valor. É importante destacar que as pessoas realizam suas atividades colocando em ação seus valores. Ou, no caso, os trabalhadores e empresários, colocam em ação os valores contidos nas suas ideias sobre ética, direitos e deveres no trabalho.

Os valores e crenças formulados pela empresa passam a ser trabalhados pelas pessoas em um processo de aprendizagem contínuo, que inclui inovação, transformação e mudanças desses mesmos valores. Aos poucos, eles são entendidos, adotados e compartilhados por todos.

Sabemos que as transformações passam obrigatoriamente por mudanças de valores, isto é, por uma transformação da cultura pessoal e organizacional.

As ações de transformação, no campo das pessoas, implicam gerar condições favoráveis às ações de liderança, ao desenvolvimento de habilidades, à melhoria da educação e à ampliação de conhecimentos dos trabalhadores, que com isso estarão mais capacitados a perceber, entender e adotar novos valores e crenças, garantindo assim que o processo de transformação aconteça.

A aprendizagem é um processo dinâmico que busca unir conhecimento e ação. Este conceito está claro nos estudos de John Dewey, que afirmou: “todo aprendizado é um processo contínuo de descoberta de conhecimentos, invenção de possibilidades para a ação, produção da ação e observação das consequências que levam ao conhecimento”.

As transformações ocorrem quando as pessoas estão expostas a valores consolidados e focados ao bem comum. Essa exposição é tipicamente um processo de aprendizagem e os agentes são ferramentas, habilidades, conceitos, processos e tecnologias que provaram ser úteis e eficazes.

As transformações são usualmente classificadas em dois grandes grupos:

  • As ditas “revolucionárias’: muitas vezes associadas a descontinuidade ambiental. Rompem a estabilidade, promovendo uma profunda transformação, mudança ou alteração dos valores, em um curto espaço de tempo.
  • As evolucionárias: que se caracterizam pelo desenvolvimento gradual dos processos de adaptações e transformações. Envolvem fundamentalmente pessoas, seus valores e a forma como veem e fazem as coisas, absorvem e adaptam as novas ideias e tecnologias. São transformações grandes, que ocorrem durante um longo espaço de tempo.

As transformações evolucionárias podem ser subdivididas em naturais ou aceleradas. As primeiras são mais lentas e ocorrem a partir das interações com os ambientes, seja por acaso, seja por uma oportunidade percebida, ou seja, sob a direção de uma ideia. Uma transformação natural é a própria continuidade da relação. Mas, desperta uma grande resistência nas pessoas e nos grupos. Os valores quase sempre são substituídos quando há uma ameaça iminente à sobrevivência do grupo. Essa ameaça é percebida mais agudamente por alguns indivíduos, que por meio da tensão transformadora, se tornam agentes de mudança, exercendo uma pressão forte sobre todos aqueles que resistem a ela. Ao serem expostas a novos traços culturais, isto é, a fatos e ideias que representam novos valores, as pessoas se abrem para a possibilidade de transformação.

As novas informações permitem a percepção da existência de partes de um novo modo de pensar e de fazer as coisas. Esses novos modos de pensar levam as pessoas a ver o ambiente ao seu redor com outros olhos e as estimulam a adotar novas posturas.

É fator indiscutível de sucesso nos processo de transformação, dar às pessoas uma importância superior a todos os demais assuntos.

Uma forma de evidenciar essa importância está contida no conceito do longo caminho curto e do curto caminho longo, apresentados por Cid Nardy.

O curto caminho longo trabalha, em primeiro lugar, as estruturas organizacionais e os aspectos funcionais da organização. A partir daí, trabalha os processos operacionais, a tecnologia utilizada para fazer as coisas na organização. Depois de tudo feito, procura-se explicar para as pessoas os porquês de tudo.

De modo geral, esse caminho provoca ansiedade, medo, ressentimentos, deterioração do clima, estresse. Como resultado, o processo de transformação passa a ser mais um problema que uma solução.

A outra opção de caminho, o longo caminho curto, começa pelo trabalho com as pessoas e suas aspirações, disposições, crenças, valores, etc.

Com isso, iremos conhecer as disposições para mudanças, áreas e pontos de cooperação e conflitos.

As transformações evolucionárias aceleradas em geral são resultado da percepção de uma necessidade específica e de uma ação de correção ou da aplicação das ideias de solução de um problema. Há um foco de transformação.

Os agentes de transformação acelerada são todos aqueles que apresentam e trazem informações sobre novos valores para a organização.

Ferramentas para a transformação

 

As ferramentas usadas são muitas, como: treinamento, desenvolvimento de habilidades e competências, aprendizado e trabalho em grupo, que permite o uso de um número enorme de conhecimento e técnicas, como times de trabalho, comitês, comissões, etc. Além desses instrumentos, existe também a possibilidade de criação de novas funções, com objetivos específicos de atuar como agentes de mudança.

Os novos estilos reduzem a fragmentação, isto é, valorizam as habilidades pessoais e o trabalho em equipe. Essa situação é facilitadora para a incorporação de novos valores pelos trabalhadores que, sustentados pela equipe, têm condição de provar que o valor é bom para o grupo e para a empresa. Essa é uma forma de criar e sustentar agentes e times de mudança.

Usando o raciocínio sistêmico, podemos compor a empresa através de sistemas interligados, cooperando uns com os outros, a partir de práticas contempladas no Programa, que otimizarão a comunicação entre os interlocutores, a partir, por exemplo, do levantamento de riscos e as discussões relacionadas ao ambiente de trabalho, desenvolvidos pelos trabalhadores.  Complementando esta dinâmica, teremos o pensamento estratégico como elemento unificador de ideias contidas no centro de cada sistema, criando um referencial para o seu alinhamento, que facilitará as ações fundamentadas no consenso.

O pensamento estratégico orienta pessoa e grupo para um propósito definido, que é a transformação dos valores. E em cada ação realizada em conjunto, devidamente comunicada e reforçada positivamente, estaremos acelerando o processo de mudança, com bases sólidas.

Um dos mais fortes incentivadores de mudanças é o autoconhecimento, que significa ter a consciência clara dos próprios valores e dos valores do grupo, concordar ou não com eles e aspirar novas mudanças e inovações.

O “Programa de Capacitação de Trabalhadores em SST da UNIPREVEN: Inovar para o Fazer” pretende provocar a criação do foco de transformação.

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